A história do Ritz começa quando Maria Helena e Arthur Guimarães se mudam para a swinging London no final dos anos 60. Lá, viveram a efervescência cultural da cidade até 1974.

De volta ao país, criam o Sanduíche, na Rua Oscar Freire. Com apenas treze banquinhos sempre disputados pelos clientes, foi o começo da união de receitas e memórias de viagens à insaciável curiosidade por descobrir sempre um prato leve e com cara de “comida de casa”.

Em 1981, Maria Helena e Arthur abrem as portas do Ritz, no lugar de uma antiga tinturaria no número 1088 da Alameda Franca.

Matinas Suzuki, jornalista, define o clima do Ritz, em texto de 2000: “(...) O Ritz foi o primeiro lugar em Sampa onde os cariocas se sentiam a vontade – tinha um quê de Baixo Leblon com Jardins, de poesia de mimeógrafo com o yuppismo nascente. No Ritz, passou a acontecer, em São Paulo, essa coisa comum em Nova York e menos rara no Rio de Janeiro, a mistura de socialites e alternativos”.

O casal abriria mais dois lugares de sucesso: a danceteria Radar Tantã, conhecida por ter sido palco da cena pop nos anos 80, e o América, em 1985, que mudou o conceito de comida rápida da cidade. Octávio Horta entra na sociedade do restaurante em 1982, atuando ao lado de Arthur, seu tio.

Já em 1990, Lygia Lopes e Sergio Kalil entram como sócios do Ritz. Lygia seria o braço direito de Maria Helena na concepção das receitas, enquanto Sergio Kalil, com seu carisma, simpatia e know-how, cuidaria do salão. A parceria do trio rendeu frutos e quatro anos depois daria vida ao restaurante Spot. Mais tarde, Miguel Olivetti, responsável pela criação do delivery “Ritz em Casa”, implantado nos dois endereços, passaria a integrar o grupo de sócios, assim como Carlos Kalil, que em 2000, com a inauguração da nova filial no bairro Itaim, completa a sociedade.

O Ritz, sempre democrático e como um lugar aberto a todo tipo de gente é pioneiro em diversos aspectos na cidade. Foi um dos primeiros restaurantes a servir vinhos em taça e a apostar em jovens e universitários para seu staff.

Uma das receitas de grande sucesso e carro-chefe da casa é o hamburger, eleito como o melhor da cidade por vários anos. Hoje, é servido em diversas versões, dentre elas o Hamburger Poivre e o que leva o nome do restaurante, Ritz Burger, além dos pratos clássicos, que estão no cardápio desde sua abertura, a torta de frango com saladinha, torta de maçã servida quente com sorvete de creme, o famoso bolinho de arroz e os pratos do dia, sendo que às quartas e sábados: pastéis, arroz, feijão, couve e farofa.

Conectado com o universo da arte e moda, as vitrines do Ritz Franca, com curadoria da artista plástica Mirella Marino e do arquiteto André Vainer recebem sempre intervenções de artistas convidados.


“Do Ritz saiu o Radar Tantã, o América, o Singapura Sling, o Aeroanta. No Ritz, se fazia o pit stop para o Madame Satã. O Ritz viu o rock brasileiro renascer, o cinema paulistano se firmar, o novo jornalismo nascer”, conta Matinas Suzuki,  ilustrando a atmosfera democrática do Ritz.